Dicas para evitar o plágio acidental

Hoje é muito fácil “roubar” ou usar as ideias dos outros e faze-los por nossas, mas será essa atitude honesta? Assiste ao video e prepara-te para um ano escolar cheio de garra!

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Encontro com… João Pedro Mésseder

Durante a Semana da Leitura de 2017 acolhemos na biblioteca escolar de Alpendorada, escola básica, o escritor João Pedro Mésseder que partilhou algumas das motivações de ser escritor com os alunos. Os alunos questionaram e o escritor respondeu, por exemplo: para ser escritor é preciso gostar de ler, pois aprendemos muito lendo os outros; que motiva a pergunta seguinte – de onde vem o seu gosto para a leitura? desde pequeno que lia, banda desenhada,  biografias… que o motivaram de alguma forma para a escrita, por exemplo na poesia podemos pegar num poema e transforma-lo tornando-o nosso. O escritor busca inspiração  na vida, na amizade, no amor, na beleza, na generosidade; o seu autor de referência é Fernando Pessoa, as cores preferidas são vermelho e azul. Sobre as palavras que o escritor usa:  há palavras que lhe desagrada escrever e dizer como competitividade, competição, guerra, aquelas que mais gosta são por exemplo… nuvem sandália, as palavra todas têm um peso para serem usadas e ditas e há palavras gastas como democracia, amor, amizade…

Ler, Ler e mais ler por Prazer

O tema da Semana da Leitura de 2017 – “Prazer de Ler” – associa-se à construção do Ser. As atividades efetuadas, pensamos, juntaram o Prazer ao Ser. Realizamos conjunto de diferentes atividades dirigidas aos alunos do 2º e 3º ciclo, em que as histórias escolhidas os levavam à reflexão, escrita, pintura e ilustração. As histórias eram pequenas com enormes mensagens que resultaram em trabalhos vibrantes como se pode ver na galeria abaixo.

Os resultados da  produção escrita, com base numa história, sobre a fragilidade da natureza e da presença do Homem no meio ambiente. Os alunos deveriam produzir uma notícia de forma a dar continuidade à mesma história. Após a produção da história os mesmos deveriam ilustra-la para a poderem partilhar com os colegas. A ilustração teve por base os recortes. Abaixo na galeria.

 

 

Palavras escondidas com rabo de fora

Como se diz a palavra «giz»?

Ia eu a caminho da festa de que vos falei há uns dias, quando passei numa curiosa terra chamada GIZ. Sim, Portugal tem terras com nomes muito estranhos.

Ora, a minha cabeça é ainda mais estranha. Aquilo em que pensei quando passei na simpática aldeia foi isto: a palavra «giz» tem duas consoantes que leio praticamente da mesma maneira.

A coisa é subtil: a transcrição fonética da palavra costuma aparecer com o «z» lido como «ch»: [ʒˈiʃ]. Mas, para vos dizer a verdade, ouvindo com atenção, parece-me que lemos a palavra com um «j» final: [ʒˈiʒ]. Leio «giz» como «jij».

Seja como for, em Portugal, ninguém lê este «z» como «z»: seria algo como [ʒˈiz], o que não se diz em lado nenhum (repito que estou a falar da leitura da palavra isolada).

No Brasil, a coisa varia entre a leitura carioca muito parecida com a nossa e a leitura paulista, em que o «z» se lê como um «s»: [ʒˈis].

Algumas pessoas menos dadas a estes temas linguísticos estarão agora a perguntar que raio de símbolos são estes. São símbolos do Alfabeto Fonético Internacional (a sigla comum é a inglesa: IPA), o alfabeto que os linguistas usam para transcrever os sons das várias línguas o mais objectivamente possível — o que não é nada fácil.

Quando olhamos para a nossa língua transcrita com este alfabeto ficamos surpreendidos. A palavra «português», por exemplo, é assim: [puɾtugˈeʃ]. Já a palavra «carro» transcreve-se como [kˈaʀu]. Isto, claro, se estivermos a falar da pronúncia lisboeta, porque a transcrição fonética consegue apanhar as diferenças de pronúncia da língua.

Por outro lado, e levantando só um pouquinho o véu desta área imensa da linguística, a fonologia estuda a forma como esses sons se organizam para distinguir significados: assim, podemos dizer «giz» de várias maneiras, mas o significado será sempre o mesmo; já se mudarmos o último som para «gil» o sentido que obtemos já é outro.

O estranho caso da blogger que queria dividir as palavras

Ah, mas a língua é malandra até dizer chega. Quando temos uma vogal à frente da palavra (por exemplo «giz amarelo»), aí sim lemos o «z» como «z» — «gizamarelo» ou, em IPA: [ʒˈizɐ.mɐ.ɾˈɛ.lu]. «Lemos», como quem diz. Depende da zona do país. Há quem mantenha a pronúncia das duas palavras como quando aparecem isoladas. Temos, assim, leituras como «gijamarelo» ou «estájaver?» em vez do mais sulista «estázaver?».

Estas formas de ligar as palavras umas às outras variam de língua para língua (claro) e, dentro de cada língua, são uma das características que distinguem os vários sotaques. Ora, claro, estas diferenças vêm trazer à baila os fantasmas tribais de que temos falado por aqui tantas vezes. Tu falas de maneira diferente? Não és cá dos meus…

Um pequeno exemplo: há uns anos, lembro-me de ler num dos blogue da moda (não me lembro qual) um texto em que a blogger gozava com alguém que apareceu na televisão e disse «estájaver?» em vez de se conformar à pura pronúncia lisboeta.

Atirou a blogger (disto já me lembro): «Mas a criatura ainda não percebeu que “estás a ver” são três palavras separadas?»

Fartei-me de rir. Porquê? Porque todos nós dizemos as frases sem pausas. Ninguém, no seu perfeito juízo ou fora de situações muito particulares, diz as várias palavras de forma separada. Estão [pausa] a [pausa] perceber [pausa] o [pausa] que [pausa] estou [pausa] a [pausa] dizer?

Mas ri-me também por isto: na verdade, é precisamente a pronúncia lisboeta da blogger que junta as palavras e lhes muda o som por serem ditas sem qualquer separação. A pronúncia de Lisboa implica dizer «estázaver». Já o falante mais a norte lê «estás» como se fosse uma palavra isolada, com o seu «∫/ʒ» final: «estáj a ver». Ironias da blogaria pseudolinguística nacional.

O amor entre os linguistas

As palavras, na nossa boca, juntam-se, mudam, misturam-se. Juntamo-las umas às outras e temos dificuldade em separá-las na corrente ininterrupta de sons que nos sai dos lábios. Tanto é assim que o tal Alfabeto Fonético Internacional, quando é usado para transcrever frases, não costuma vir com espaços. A frase «amo-te muito» é transcrita como «ˈɐmutɨmˈũjtu». Parece pouco romântico? Mas é assim que dizemos a frase… Não pomos lá espaços no meio. (Será que algum casal de geeks linguísticos escreve bilhetes de amor usando o alfabeto fonético?)

Há quem julgue que juntar as palavras é descuido, tentando contrapor uma pronúncia artificial, em que cada palavra soa de forma isolada. Felizmente, são poucos os doid—— as pessoas que caem nesse erro.

Agora, claro, tenho de fazer o aviso do costume: isto não quer dizer que uma boa dicção da nossa língua não seja importante quando falamos em público — mas uma boa dicção também implica juntar as palavras umas às outras de forma natural e de acordo com as regras da língua…

Uma palavra que desapareceu mas deixou rasto

As regras de ligação entre palavras na oralidade são complexas, quase todas inconscientes — e muito interessantes. Escondem até alguns achados de arqueologia linguística.

Querem ver?

Há uns dias, descobri num interessantíssimo comentário de Fernando Venâncio que a nossa comum pronúncia da expressão «como o Tiago» é uma relíquia duma palavra que já não usamos.

Se ouvirem com atenção, percebem que, muitas vezes, no dia-a-dia dizemos «como o Tiago» desta maneira: «comòtiago» (isto não é Alfabeto Fonético Internacional, note-se).

Ora, usar um O aberto numa junção de palavras é comum quando unimos o A ao O («tira o chapéu» é dito em conversa rápida como «tiròchapéu»). Já a junção de dois U costuma sair U. Então, donde vem o [o] aberto de [comòtiago]? Virá da antiquíssima palavra «coma» (sinónimo de «como»). Há muitos séculos, dizíamos «coma mim» («como eu») e «coma ti» («como tu»). A palavra desapareceu, mas deixou uma marca na maneira como ligamos a palavra «como» ao artigo «o»…

Como esta, haverá outras. Aliás, já vos tinha falado de concordâncias verbais com palavras-fantasma. As palavras desaparecem, mas deixam pistas. E alguns linguistas lá se armam em detectives à procura das palavras escondidas…

A nossa língua é isto tudo e muito mais. Tem regras muito complexas que usamos sem notar, guarda segredos de chorar por mais — e consegue surpreender durante uma vida inteira todos aqueles que para ela olham com curiosidade.

Querem mais um segredo? O português, nisto da malandrice, não é um caso isolado. Estes fenómenos acontecem em todas as línguas, desde a língua falada por algumas dezenas de pessoas na Amazónia até às línguas como o chinês ou o inglês. A linguagem humana é qualquer coisa de nos deixar pasmados.

Texto de: Marco Neves, em Certas Palavras

Crónica: A minha rua

Texto de Alice Vieira, em Jornal de Mafra

Moro nesta rua de Lisboa há mais de 40 anos.

Há 40 anos a minha rua tinha tudo.

Tribunais, hospital, hotéis, supermercados, restaurantes, lugares de fruta, a farmácia do Diamantino onde tudo se discutia, livrarias, drogarias, loja de ferragens, escolas de línguas, lojas de eletrodomésticos, uma tabacaria onde as minhas velhas tias iam falar de doenças, quiosques de jornais, e vários cafés — entre eles o ”Toninho”, que abria às 6 da manhã e encerrava para lá das 11 da noite e não fechava as portas em dia nenhum. Domingos, feriados, (incluindo Natal, 25 de abril e 1o de Maio) eram dias habituais de trabalho : portas abertas no mesmo horário.

O “Toninho” era a segunda casa de todos nós. Desde os tempos em que às suas mesas abancavam o D.António Ribeiro (que seria depois patriarca de Lisboa), Almada Negreiros, Dinis Machado, Dulce Cabrita, Raul Solnado e muitos outros.

Era um pequeno mundo.
Saía-se à rua e tudo estava à mão.

E todos olhávamos para a nossa rua na certeza de que outra melhor não haveria e que tudo aquilo seria eterno.

Um dia partiram os lugares de fruta. Custou, mas havia supermercado e não sentimos muito, a não ser a falta das piadas do Sr. Lopes.

Depois a livraria “Quadrante” fechou as portas e, durante anos, aquele espaço nunca foi devidamente preenchido: lojas de ninharias, abriam um dia e fechavam no seguinte. Por graça dizíamos que, desde a saída do Eduardo e da Maria Alice, aquela loja tinha ficado assombrada.

Depois o Diamantino largou a farmácia que rapidamente fechou.

E a D. Vera fechou a tabacaria.

E os quiosques desapareceram.

Mas a primeira grande machadada deu-se quando os tribunais foram daqui para fora.

Trememos ligeiramente , os cafés queixavam-se de menos clientela mas, mesmo assim, pensámos que tudo se iria resolver.

Mas machadada puxa machadada: o hospital fechou (e com ele o lar das enfermeiras), a drogaria fechou, o Sr. Mário das ferragens levou o negócio para outro sítio, a loja da Philips (passe a publicidade, que agora também já não serve de nada…) fechou, o Instituto Francês fechou, a livraria de livros ingleses em 2a mão fechou ( a sacaria de livros que, de vez em quando, eu lá ia entregar!)—e, de repente, o “Toninho” também fechou as portas.

Machadada final. E com grande estrondo.

As vizinhas aqui do bairro andam feitas baratas tontas sem saberem onde poisar.

Há dias fomos, digamos, experimentar um outro café aqui perto. Saímos de orelha murcha.
–Que é que lhe falta?—perguntou a Rosa.
–Faltam-lhe os 40 anos que passámos no outro…–respondi. Desistimos de procurar.

E há dias e dias em que não nos vemos. E à noite ficamos todas em casa.

E, de repente, a rua é assim uma coisa estranha para todos nós, donde inexplicavelmente sairam as nossas raízes. Uma rua igual às outras.

Ia eu esta manhã a pensar nestas coisas quando, de repente, vejo que na minha rua ainda falta mais qualquer coisa.

Eu explico : há anos que, num vão de escada, dorme um sem-abrigo. Nós nunca vimos o sem-abrigo mas muitas vezes lhe deixamos alguma fruta. Porque eu garanto que deve haver muito poucos homens que de manhã deixem o quarto tão arrumado como este deixava o vão de escada.

O colchão direitinho, a manta muito bem estendida, por cima às vezes a ingenuidade de um ou dois bonequinhos de borracha tipo Strumpfs, o chão impecavelmente limpo—e tudo protegido por grandes cartões, em jeito de parede.

Dava gosto ver.

Mas o que é certo é que nunca o vimos. Se eu passava por ali de manhã muito cedo a única coisa que via era um vulto dentro da cama, mas claro que não ia lá espreitar…A partir das 8 da manhã já ele tinha ido à vida.

Ontem deixei-lhe duas maçãs em cima da cama. Hoje, tinha desaparecido.

O vão de escada tornou-se novamente num vão de escada normal, o chão impecavelmente limpo e nenhum rasto do colchão ou da manta ou dos cartões.

A minha rua está tão descaracterizada e tão triste que já nem um sem abrigo aguenta.

Autogolo

Texto vencedor do concurso “A Ética na Vida e no Desporto”, 5.ª edição, é promovido pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, através do Plano Nacional de Ética no Desporto, conta com o apoio do Jornal Desportivo “A Bola”, a Direção-Geral da Educação/Desporto Escolar, a Direção – Geral de Reinserção e Serviços Prisionais e o Comité Olímpico de Portugal.

 

«AUTOGOLO

Signal Iduna Park. 19 horas, 45 minutos. Um apito curto que coloca as pernas de 22 em movimento e o coração de milhões aos saltos. Ao fundo, um muro amarelo. Quente, vibrante, impenetrável. Mágico. Verdadeiramente mágico. Um amarelo que ri e que chora. De alegria e de tristeza. Um amarelo que sente e sentido. Infalível. Um amarelo que ama e não falha. Que grita e não se cansa.

Um cai, outro perde a bola. Um lesionado e um fora de jogo assinalado.
Se eu, pequeno e despercebido pedaço de amarelo, vos pudesse dizer algo antes daquele apito curto? Não esperem um ‘boa sorte’. Pedir-vos-ia que sejam aquilo que vos torna únicos. Aquilo que são antes de serem grandes no futebol e de me arrepiarem os braços com os pés. Que sejam humanos e que não levem convosco apenas o talento que deslumbra o amarelo e o azul, o verde e o vermelho. Porque o mundo se rende a vocês. Que levem os valores que fazem de nós humanidade e que honrem o símbolo que têm ao peito. Mostrem o que é garra, paixão, foco e determinação. O que é amor, ambição e gratidão. Mas, acima de tudo, façam jus à palavra que carregam no braço 90 minutos. RESPECT. Mostrem que somos mais do que duas pernas, do que dois pés, do que assistências e do que golos. Mais do que dinheiro, somos humanos. Mais do que vitórias, somos humanidade. Lembrem-se que os vossos pés não espelham apenas a arte do futebol. Carregam ideias. E as ideias pesam tanto como uma bomba. E quando sentirem vontade de insultar, de humilhar ou até mesmo de desistir, mostrem-se verdadeiros campeões. Sejam grandes. Sejam diferentes. Sejam melhores. Sejam humanos.

 

45+3. O Borussia de Dortmund está a perder por uma bola, em casa. O muro amarelo chora mas não quebra.

Deste lado, aqueles que vos admiram não vos irão falhar. Há um mundo a seguir-vos e há por isso a responsabilidade de serem um exemplo. De contribuírem para a construção de um mundo melhor. Não nos falhem.
Deste lado faremos o mesmo. Estaremos convosco sem que isso implique estar contra os outros. Estaremos cá para defender o amarelo sem odiar o vermelho e o verde. Partilhamos muito com o adversário. Em lados opostos, mas sentimos o mesmo. Em lados opostos, mas o foco é o mesmo. A paixão, a lealdade, e o orgulho estão em cada canto deste estádio. Sairemos daqui de coração cheio, ainda que percam, se derem tudo em campo, se jogarem como os grandes e se forem grandes. Grandes mas humildes, grandes mas honestos. Grandes mais leais. Essa é a verdadeira grandiosidade. Este é o verdadeiro futebol. O verdadeiro desporto. Ético e livre. Acessível a todos. Sem medos.

Grande penalidade convertida por Aubameyang e golo de Bartra. O Dortmund vence por 2-1.

Ao fundo, um muro amarelo. Um uníssono e longo aplauso dirigido aos adeptos adversários que souberam ganhar e perder. Um aplauso ao Dortmund que soube Ser. Humano.

Que grande metáfora de vida é o futebol, cheia de ataques e defesas. De autogolos e golos do meio campo que nos levam a uma só final: sermos humanamente campeões.»

Ana Filipa Gomes Ferreira, Escola Secundária de Amarante

Regra de três simples

Um antiquíssimo método para se resolver problemas envolvendo grandezas proporcionais, onde temos três números e é preciso descobrir o quarto.

Se por cada 100 casamentos há 70 divórcios, quantos serão os divórcios se houver 200 casamentos? A resposta é intuitiva: desde que o rácio entre casamentos e divórcios seja o mesmo, se as uniões duplicam, as separações também duplicam e, portanto, serão 140. Falamos da regra de três simples.

Vê como se faz no video